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Agora sim...



Aos 20 anos de idade eu era uma adolescente entrando na vida adulta. Minha vida era regada a muitas festas, drogas, bebidas e quase nenhuma responsabilidade. E eu adorava essa vida, não conhecia ninguém que aproveitasse a vida tanto quanto eu, juro! Por isso quando me descobri grávida foi difícil, um choque de realidade.

Alguém que tinha preocupações como qual roupa vestir e a qual seria a balada do próximo sábado teve que começar a se preocupar com enxoval e fraldas. De repente eu me vi correndo atrás de berço, de roupinhas miúdas. Junto a isso tive que mudar radicalmente o meu estilo de vida, que não combinava nada nada com a chegada de um bebê. E eu gostava muito desse estilo de viver, sabe? Não foi fácil essa mudança...

E tudo mudou tanto, tanto, que mesmo depois de 8 meses de nascimento da Alice eu ainda não me reconhecia. Eu não era mais a Yasmin que eu sempre fui. Daquela Yasmin, confesso, restou muito pouco - tão pouco que eu mal me enxergava. Depois do nascimento da Alice, eu fiquei irreconhecível. Eu virei única e exclusivamente mãe da Alice. Ela foi e é a melhor coisa da minha vida, o amor que sinto por ela é absurdo, em nenhum momento eu me arrependo da escolha que fiz, não é isso. Eu aprendi a ser mãe, eu cresci tanto em 8 meses, foi a maior e melhor transformação da minha vida.

Só que, a minha gravidez não foi planejada, não me preparei psicológicamente para isso, não sonhava com isso. E se para alguém que deseja e planeja isso já é difícil, para alguém que foi pega de surpresa então e que teve muito pouco tempo para processar toda essa mudança, foi complicadíssimo. 

Alice é um anjo, não me deu quase nenhum trabalho, não teve cólicas, sempre dormiu bem, não é chorona. Tirei a sorte grande, juro! Mas mesmo assim, minha vida ficou de pernas para o ar. Eu não tinha nenhuma rotina, deixava o dia acontecer, a vida me levar, sabe? Acordava tarde junto com ela, passava o dia sem fazer absolutamente nada na casa, tinha dia que tomava banho apenas na hora de dormir, ficava de pijamas o dia inteiro, nem sair para dar uma volta com a Alice eu saía. Não que eu estivesse mal, triste ou deprimida, não era isso... Eu apenas relaxei, deixei a vida decidir por mim, deixava os dias simplesmente acontecerem... E quando dei por mim, estava 6 kilos acima do peso, sem sequer me arrumar, e os dias passavam sem que eu percebesse, e eu não fazia nada, nem por mim e nem pela casa.

Foi quando eu decidi que precisava de um tempo de tudo, precisava me recompor, me enxergar de volta. E esse tempo foi bom. A simples implantação de uma rotina melhorou tudo. Não, não teve nada de novo. Não comecei nenhum curso, não comecei a trabalhar, nada. Mas o simples fato de "programar" algumas coisas para os meus dias, me fizeram muito bem e muito melhor. Ao invés de acordar as 10 da manhã, as 6:30 já estou de pé, indo para o banho. Sempre fico arrumada, mesmo que não vá sair, assim tenho a sensação de que estou pronta para começar o dia. Durante a manhã faço o serviço de casa e aproveito que Alice está dormindo, então consigo arrumar tudo, lavar roupa e ainda começar a preparar o almoço. Então quando Alice acorda (e eu já fiz praticamente tudo e estou arrumada) saímos tomar Sol, damos uma volta e temos a tarde inteirinha praticamente livres para fazermos o que quisermos. 

Ainda não tive nenhuma grande novidade, ás vezes ainda fico cansada, entendiada, é verdade. Ainda faltam algumas coisas, mas hoje eu estou muito mais bem resolvida. Hoje já aceitei o fato da minha vida ter mudado tanto - e até gosto. Entendi que agora as coisas não vão ser tão loucas, eu não vou a tantas festas, nem me acabar de beber eu posso, mas não faz mal. Nada supera a felicidade de ter a Alice aqui, nada é tão bom quanto acompanhar de perto seu crescimento e suas conquistas diárias, nada me faz tão bem quanto me dedicar à ela. E hoje eu sei o que sou e o que eu quero ser: Yasmin, mãe da Alice. Eu descobri que ser mãe dói sim, mas que é uma delícia, e que vale a pena. 

E quero agradecer muito a todas que comentaram no último post, me deram força, me animaram, fizeram eu me sentir querida. Muito obrigada mesmo! Cada palavra de carinho, me senti muito acolhida, fizeram com que eu fosse buscar uma solução, um caminho, uma alternativa. Obrigada mesmo por todo esse apoio, vocês são umas queridas. E é por isso que eu gosto tanto dessa nossa blogosfera materna. Então depois de um longo descanso, dessa nossa pausa, me sinto melhor, mais preparada... E estamos de volta!

E como fica a vaidade?


Durante a gravidez, a grande maioria das mulheres tendem a ficar vaidosas, a exibir a barriga com orgulho. A pele fica mais bonita, os cabelos e realmente mulheres grávidas tem uma luz natural, uma coisa meio mística, acho que é a felicidade que toma conta e a gente acaba transparecendo isso. Claro que eu engordei, fiquei inchada, mas mesmo assim eu me sentia bonita na maior parte dos dias. O problema é que a gravidez acaba e aí vem o depois...

A falta de uma rotina estabelecida, as noites mal dormidas, o cansaço, todo tempo dedicado ao bebê, a falta de organização e de horários. Somado a isso tem também a preguiça, a falta de dinheiro... Enfim, por uma série de fatores muitas vezes acabamos deixando nós mesmas de lado e nos dedicando apenas a ser mãe. Esquecemos do resto, esquecemos do mundo lá fora, fora do circulo da maternidade... E por mais que a rotina nos esgote, fisicamente e emocionalmente, não podemos esquecer que além de mãe somos filhas, mulheres, namoradas... Precisamos sim de um tempo para nós...

Confesso que sempre fui vaidosa, no meu caso, peco pelo excesso na verdade. A minha aparência sempre foi algo que me preocupou bastante. Não que seja maluca, não é isso, mas gosto de me arrumar, de estar sempre apresentável, de me sentir bem. Durante a gravidez, não foi diferente. O medo mesmo era do pós parto, da falta de tempo de que todos me falavam, do cansaço, da preguiça... Não tinha idéia se daria conta de cuidar de um bebê, de manter a casa em ordem e ainda ter tempo para dedicar a mim mesma.

Mas quando a gente quer, a gente sempre arranja um tempinho, um jeitinho, não é? E por incrível que pareça, até que estou me virando bem... Nas primeiras semanas foi um pouco difícil, mas agora acho que as coisas já entraram no eixo. Nunca fui muito organizada, mas aprendi que se eu quisesse ter tempo para fazer tudo o que eu tenho vontade, eu teria que me programar. Claro que alguns dias a preguiça bate forte e a minha única vontade é ficar deitada com a Alice e não fazer nada o resto do dia... Mas na maior parte dos dias eu tenho conseguido me cuidar sim. Aprendi administrar o tempo e as horinhas que sobram eu consigo cuidar da casa, cuidar de mim, me dedicar ao Scrapbook - que eu adoro - e ainda postar no blog.

Agora que Alice já acorda praticamente todos os dias no mesmo horário, eu sempre coloco o despertador para 1hr antes e consigo fazer bastante coisa nesse tempo. Dou uma geral na casa, e uma geral em mim. Meu primeiro cuidado diário comigo é sempre estar de banho tomado, roupa apresentável e passo um hidratante. Esse é o meu primeiro ritual, faz com que eu esteja pronta para o resto do dia. Estou sempre arrumadinha, nem que seja para ficar dentro de casa. Além de eu me sentir melhor, também estou sempre prevenida para visitinhas surpresas ou para sair de casa.

Além disso tenho o cuidado de estar com as unhas sempre feitas. Antes da Alice nascer elas estavam sempre compridas e coloridas. Agora nem sempre consigo mantê-las assim, como não tenho mais todo tempo do mundo, as vezes o esmalte vermelho acaba ficando velho, descascado e com cara de descuido total. Então hoje em dia eu mantenho as unhas em um comprimento razoável e com um esmalte claro, que é mais fácil de manter. A cutícula continua sendo feita semanalmente, nem que para isso eu tenha que ir dormir um pouco mais tarde.

E o meu maior medo de todos era não voltar ao meu corpo de antes. Eu sou neurótica com peso, prontofalei! Nunca fui magrela, mas também estou longe de ser gordinha. Tenho 1,57m e sempre pesei 50 kg. Normal, porém eu sempre fui muito encanada com o peso, com meu corpo. Sempre fiz dieta, sempre quis emagrecer, adoro corpo de modelo, acho lindo, acho elegante, acho o máximo alouca. Porém não nasci assim e sei que jamais terei esse perfil. Durante a gravidez, tive o cuidado de me alimentar bem e corretamente para não engordar demais... Cheguei no final da gestação com 6 kg a mais e me sentindo muito bem. Juro que não fiz dietas malucas e nem passei fome, apenas mantive o controle, nunca pensei em comer por duas... Só me controlei. Se quisesse comer um doce, comia, mas sempre um pedaço, evitando os excessos, evitando refrigerante...

Já saí da maternidade com o peso de antes. Hoje estou mais magra ainda. Acho que é o resultado de uma combinação de amamentação + péssima alimentação. A barriga ainda não voltou completamente, mas até que está bem. Não tive nenhuma estria, mas a barriga fica mais flácida, inevitavelmente. Sei que provavelmente jamais terei o corpo de antes, meu quadril ficou mais lardo, meus seios vão mudar... São as marcas da gravidez, normal. Mas 2012 chegou e com ele a minha vontade de voltar a me sentir melhor com o meu corpo, portanto começo o ano voltando para a academia. Não tenho pressa, sei que as mudanças virão com o tempo, somos meras mortais... O que eu não quero é me esquecer, me deixar pra lá...

Não, não acho que a gente precisa dar uma de louca e querer emagrecer  todo e qualquer custo. Nem acho que temos que ser extremamente vaidosas e colocar essa vaidade acima de tudo... A gente não precisa colocar a vaidade acima da saúde, não é isso... O que eu acho é que todas nós temos sim que ter um tempo para gente, deixar nossos filhos com os pais, com as avós, com alguém que nos ajude e ter tempo de tomar um banho decente, de 20/30 minutos, termos tempo de passar um creme e relaxar... Precisamos fazer um esforcinho sim, mandar a preguiça embora e ter esse momento do dia para nós mesmas, pra gente poder descansar, colocar a cabeça no lugar e se sentir bem com a gente mesmo, porque senão... Senão a gente enlouquece.

Ressurgindo!

E depois de tanto tempo sem postar, eu consegui um tempinho para organizar as coisas por aqui. Eu ando em falta com todas as minhas queridas amigas que fiz por aqui, ando em falta com o blog... Sinto muita falta de ler e acompanhar um pouquinho de cada uma de vocês...

Mas eu sumi porque com a alergia da Alice, eu senti que precisa me focar nela, nessa dieta... Precisava me dedicar totalmente a ela. E confesso que esse tempinho ausente, longe desse mundo virtual me fez bem. Consegui finalmente me organizar melhor, a organizar minha casa,  consegui encaixar essa dieta que me deixa louca na nossa rotina e o melhor: consegui me dedicar muito mais a ela, que nesse tempo já completou seus 5 meses!

Nem preciso falar que Alice está uma gostosura não é? Ela está muito esperta, já está quase engatinhando! Cresceu muito depressa, nem parece aquela bebezinha de colo que eu trouxe do hospital. Sem contar que AMA comer os pés. Agora que os descobriu, não faz outra coisa a não ser colocá-los na boca o tempo todo! E a alergia dela melhorou bem. Nunca mais apresentou sangue nas fezes, está bem menos irritada, anda dormindo melhor durante o dia e a dermatite que era bem feia quase não se vê! Ponto pra mamãe que aboliu qualquer coisa que tem leite da dieta! Ai, no começo era bem complicado, confesso. Foi difícil não comer o que estava acostumada, a ler rótulos de tudo que fosse consumir... Mas agora, já me acostumei, já me adaptei, estou bem tranquila. Não sinto falta de comer quase nada. Aprendi a comer coisas novas, minha alimentação melhorou 100%... O que a gente não faz por um filho não é?!

Junto com esse monte de boas notícias, venho dividir uma não tão agradável. Eu e o pai da Alice não estamos mais juntos. Pensei muito em falar sobre isso aqui, não sabia como falar sobre isso sem me expor demais, mesmo porque esse é um assunto chato, que ainda mexe bastante comigo, não tem jeito. Mas não achei justo compartilhar tanta coisa e não mostrar isso, mostrar esse outro lado, mostrar que nem tudo é perfeito e também pode ser que alguém esteja passando por um momento assim e veja que não é só com ela.

Nós nos amamos bastante, durante todo esse tempo em que ficamos juntos. Ainda nos amamos, mas hoje, não mais como namorados. Lógico que não foi e nem está sendo fácil, mas eu tenho um respeito enorme por ele, mesmo porque ele me deu o melhor presente que eu ganhei até hoje, mesmo sem ter sido esperado. Vou ser eternamente grata por ele ter me dado a oportunidade de sentir esse amor tão louco. Mas infelizmente não deu certo. Mas sempre estaremos juntos na criação da nossa princesa!

E é isso... Vou retomando meu blog, vou voltando aos poucos, pouco a pouco vou visitando cada blog que sempre acompanhei e também começo a escrever sobre essa minha nova fase. Fico feliz em voltar!

***

Claro que não poderia deixar de falar sobre o Opiniblog. O resultado do mês de Novembro saiu e eu fiquei surpresa. Não achava que iria "tão bem" assim. Fiquei muito feliz. Claro que pretendo melhorar sempre, mas fiquei bem contente com o resultado, que segue abaixo (lembrem que a nota máxima era 5):

Total de votos: 19

Médias em:
Conteúdo: 4,4
Escrita/Gramática: 4,5
Serviços oferecidos: 3,6
 Aparência/Estética: 4,3
Navegabilidade: 4,6

Obrigada!

A pressão pela perfeição

Li em algum lugar que, de acordo com um estudo britânico, mães tendem a omitir fatos sobre a forma de criar seus filhos. O motivo seria a pressão sofrida na busca pela perfeição, o medo de ter seu desempenho como mãe julgado. Elas não se sentiam a vontade para revelar a quantidade de horas que os filhos passavam na frente da TV, as dificuldades em educá-los, o que eles realmente comiam.

É complicado, eu sei. Toda mãe se sente forçada a estar dentro do padrão idealizado de maternidade. Que hoje é a mãe natureba. É ter o filho de parto humanizado, é ter que amamentar exclusivamente e em livre demanda durante 06 meses, é abominar a idéia de "terceirizar" a educação, é só usar fraldas de pano, é selecionar músicas e desenhos que nossos filhos podem assistir. 

Claro que todo mundo quer e busca o melhor para nossos filhos. Isso é indiscutível. Mas essa pressão velada de algumas mães acaba fazendo com que a gente tente cada dia mais se adequar a esse mito da perfeição, a se comparar e buscar estar dentro das regras e padrões de comportamento para ser mãe.

A maternidade é real. E ela tem que ser possível. Ser mãe é sempre estar em busca do melhor, é aprender, é perguntar, é questionar, seja o obstetra, seja o pediatra, é se adaptar, é se dedicar. Mas é aquele papo, de que cada um sabe onde seu calo aperta, é possível condenar uma mãe por não agir de acordo com o esperado? Mesmo porque as famílias não são iguais, as criações não são as mesmas, porque a necessidade de um bebê seriam as mesmas que a de outro bebê, com realidades opostas? 

Acho que cada mãe tem que ter sim seu direito de escolha preservado, respeitado. Mesmo porque algumas situações não medem e nem dizem respeito ao amor sentido pelo filho. Então entre erros e acertos, cada mãe faz o melhor que pode. Eu faço o melhor que posso. 

A gente tem que parar de se cobrar tanto, de se julgar tanto. A gente não está competindo com ninguém, além de nós mesmas. Por isso hoje eu busco o melhor para a Alice dentro da minha realidade, dentro das minhas possibilidades. Deixei pra lá essa busca louca e desenfreada pela perfeição, mesmo porque o conceito de perfeição é discutível, o referencial muda, o que é perfeito pra você pode não ser perfeito pra mim, então aqui estou:A sendo a melhor mãe que eu posso ser.

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