A pressão pela perfeição

Li em algum lugar que, de acordo com um estudo britânico, mães tendem a omitir fatos sobre a forma de criar seus filhos. O motivo seria a pressão sofrida na busca pela perfeição, o medo de ter seu desempenho como mãe julgado. Elas não se sentiam a vontade para revelar a quantidade de horas que os filhos passavam na frente da TV, as dificuldades em educá-los, o que eles realmente comiam.

É complicado, eu sei. Toda mãe se sente forçada a estar dentro do padrão idealizado de maternidade. Que hoje é a mãe natureba. É ter o filho de parto humanizado, é ter que amamentar exclusivamente e em livre demanda durante 06 meses, é abominar a idéia de "terceirizar" a educação, é só usar fraldas de pano, é selecionar músicas e desenhos que nossos filhos podem assistir. 

Claro que todo mundo quer e busca o melhor para nossos filhos. Isso é indiscutível. Mas essa pressão velada de algumas mães acaba fazendo com que a gente tente cada dia mais se adequar a esse mito da perfeição, a se comparar e buscar estar dentro das regras e padrões de comportamento para ser mãe.

A maternidade é real. E ela tem que ser possível. Ser mãe é sempre estar em busca do melhor, é aprender, é perguntar, é questionar, seja o obstetra, seja o pediatra, é se adaptar, é se dedicar. Mas é aquele papo, de que cada um sabe onde seu calo aperta, é possível condenar uma mãe por não agir de acordo com o esperado? Mesmo porque as famílias não são iguais, as criações não são as mesmas, porque a necessidade de um bebê seriam as mesmas que a de outro bebê, com realidades opostas? 

Acho que cada mãe tem que ter sim seu direito de escolha preservado, respeitado. Mesmo porque algumas situações não medem e nem dizem respeito ao amor sentido pelo filho. Então entre erros e acertos, cada mãe faz o melhor que pode. Eu faço o melhor que posso. 

A gente tem que parar de se cobrar tanto, de se julgar tanto. A gente não está competindo com ninguém, além de nós mesmas. Por isso hoje eu busco o melhor para a Alice dentro da minha realidade, dentro das minhas possibilidades. Deixei pra lá essa busca louca e desenfreada pela perfeição, mesmo porque o conceito de perfeição é discutível, o referencial muda, o que é perfeito pra você pode não ser perfeito pra mim, então aqui estou:A sendo a melhor mãe que eu posso ser.

8 comentários:

Renata disse...
23 de setembro de 2011 19:57

Concordo plenamente. Eu já parei faz tempo de encanar com as coisas que minha filha come, a frequência da TV, etc. O que não quer dizer que ela só coma porcarias e passe o dia assistindo porcaria na tv, né? Mas definitivamente passo LONGE desse conceito natureba e super saudável de ser. E reconheço que não torno isso público na internet o tanto quanto gostaria, porque sei que a reação das militantes do politicamente correto e saudável vão jogar pedras, como se eu não amasse minha filha por deixar ela comer chocolate antes dos dois anos de idade... Mas só tenho visto esse tipo de "disputa" pela internet mesmo, porque na vida "real" eu NUNCA fui julgada, nem mesmo de forma velada, pelo jeito de tratar minha filha. Pelo menos para meu círculo de amigos, conhecidos e família, o jeito que crio meus filhos parece ser absolutamente normal (ainda bem).
Beijos, adorei o post!

Renée S. Costa disse...
23 de setembro de 2011 20:16

Adorei o seu texto e acho que acontece isso mesmo: uma competição para ver quem tem os melhores métodos de educar seus filhos!
Acho que não existe padrão com relação a isso! Aliás, não existe padrão para nada nessa vida!
Cada um tem seus valores, seu alicerce e cria os filhos da maneira que acha melhor!
Beijos

Camí Espíndola disse...
23 de setembro de 2011 21:44

Concordo com tudo. Os pais devem achar a melhor forma de educar os seus filhos, que são diferentes dos filhos do Joaquim, do Alberto etc.. Acho que amor não pode faltar, NUNCA! Essa é a base de qualquer educação ^^ Adorei aqui. Bem vinda, novamente! :)

Dayane disse...
24 de setembro de 2011 00:09

Excelente post, Yah! A pressão é grande mesmo e muitas omitem e/ou mentem muita coisa por causa dessa pressão. Concordo com você, parece uma competição. As escolhas são muitas nesse mundo da maternidade e acredito que há sim, escolhas melhores que outras, mas muitas são as opções entre o 8 e 80, cada uma que decida pelo seu melhor e com o que condiz com sua realidade.
Beijos

Débora Nunes disse...
25 de setembro de 2011 20:10

Yahhh adorei!!! Mais pura vdd que somos cobradas por tantas coisas e pessoas que acabamos querendo nos tornar a mãe perfeita!!! Ja tinha percebido isso a algum tempo e optei em não ser perfeita mas a melhor mãe que posso ser para minha filha! Com meus acertos e erros!!!

Bjus...
http://amaecoruja.blogspot.com/

Renata disse...
1 de outubro de 2011 17:04

Nossa, Yasmim, verdade pura! Mas, vou te falar: hoje não me culpo por (quase!) nada. Vc acredita que esqueci de dar o lanche do mais velho hoje e, ainda assim, não me senti culpada? Claro, que ele me pediu e eu fui correndo preparar...rsrsrs Mas, olha, são dois bebês, 4 dias sem babá, marido, casa para administrar,...se eu for me culpar por algumas pequenas falhas, acho que enlouqueço de vez! rsrsr bjs
www.2pra2.com

Cris Bispo disse...
17 de outubro de 2011 22:57

Antes eu tentava não me importar com a opinião dos outros, mas depois percebi que eu me importava tanto pq eu não estava satisfeita comigo. Eu tinha vergonha, culpa...

Passei então a usar isso como termômetro: se tenho vergonha de alguma atitude minha, eu vou lá e mudo.

É uma forma diferente de ver as coisas, dá mais trabalho, mas eu acho que é mais honesta. :)

Cris Bispo disse...
17 de outubro de 2011 23:00

E antes de fazer pressão em mim e nas outras mamães eu penso sempre no resultado. Não importa o método que a mãe usa para cuidar e educar uma criança. Se a família está se desenvolvendo de forma saudável, está funcionando. :D

Por outro lado, ter um filho cheio de problemas emocionais e de comportamento e achar que está fazendo o melhor é esconder o sol com a peneira. :P

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