Começou com aquelas casquinhas que todos os bebês tem. Todo mundo me dizia pra eu deixar amolecer com óleo e retirar no banho. Mas nada resolvia. Sempre aparecia mais e foi começando a espalhar pela testinha dela, pelas bochechas... Alice foi diagnosticada com dermatite atópica e segundo a pediatra era, provavelmente, ligada ao leite de vaca. Pediu apenas que eu observasse se quando eu ingerisse leite ou derivados, pioraria.
Não tenho o hábito de tomar leite e nem de comer queijo, então nunca tinha prestado atenção nos outros derivados. Mas semana passada acabei tomando um copo de leite e percebi que Alice ficou com diarréia. Mas foi só isso. Nenhum incômodo, nada. A não ser a dermatite que piorou um pouquinho e nem com o remédio prescrito melhorava. Fiquei observando, mas nenhuma reação maior. Até sábado, quando durante a troca de fraldas eu percebi uns pinguinhos vermelhos no cocô. Coloquei a mão e percebi que era sangue. Bem pouquinho, mas era.
Liguei para a pediatra dela que nos atendeu no sábado mesmo. Segundo ela, mesmo sem outros sintomas, Alice provavelmente tem Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). E o que é isso? É uma reação alérgica a proteína do leite de vaca, aonde o organismo não reconhece uma ou mais proteínas do leite de vaca (caseína, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina) e reage a elas. E é mais comum do que eu pensava, atinge cerca de 1 em cada 20 crianças.
Vamos fazer alguns testes, mas os exames não querem dizer muita coisa. Porque eles verificariam apenas a sensibilidade dela ao leite e não dignosticariam a alergia. O que eu tenho que fazer para termos esse diagnóstico é uma dieta de exclusão, aonde eu tenho que observar as reações da Alice após deixar de consumir com posterior reintrodução destes mesmos alimentos.
A dieta da exclusão é muito mais do que simplesmente não tomar leite e seus derivados. Eu não posso ingerir nada que contenha qualquer simples traço de leite porque não temos como mensurar a quantidade específica de traços e nem saber o quanto realmente a criança toleraria. Então leite, queijo, bolacha com leite, achocolatado, bolos, pães, sorvete e manteiga, são exemplos de alimentos que eu não posso consumir. Também tenho que ficar de olho nos rótulos dos alimentos industrializados, prestar bem atenção e estudar sobre isso. Mas por exemplo, Coca Cola eu não posso tomar. Não tem leite, mas tem corante de caramelo que pode conter leite.
E se não bastasse isso, ainda tenho que ter muito cuidado porque pode existir a contaminação cruzada. Que é a contaminação de um alimento por outro por contato ou durante o preparo. Por exemplo: Se ao elaborar uma torta sem leite você usar uma faca que cortou um queijo antes, mesmo que não tenha leite e derivados nos ingredientes da torta, poderá conter traços que estavam na faca devido à contaminação cruzada.
Então agora é prestar muita atenção, ter muito cuidado e bora fazer a dieta. É difícil sim, complicada, vou ter que abrir mão de muita coisa que eu como, vou ter que aprender a me alimentar de forma diferente. Mas se é preciso, eu tenho que fazer. Mesmo porque uma lata do leite com fórmula hidrolisada sairia em média 400,00 e também porque segundo a pediatra o leite materno ainda é o melhor remédio para o tratamento da alergia.
Então vai ser assim. Eu vou fazer essa dieta por 4 semanas e se ela melhorar a gente faz o teste de provação oral (TPO). Vou reintroduzindo aos poucos, e com supervisão médica, alguns alimentos e monitorando as reações. Se a criança não apresentar reação alérgica, há duas possibilidades:
- os sintomas não eram ocasionados por alergia alimentar, e sim por alguma outra doença;
- a criança apresentava alergia alimentar, porém desenvolveu tolerância (cura) durante as semanas de dieta de exclusão.
Se por outro lado o TPO desencadear alguma reação alérgica, o diagnóstico da alergia alimentar está confirmado.
Agora é ter paciência, aprender um pouco mais sobre isso, ter cuidado e me jogar na dieta! Afinal, ser mãe também é isso!







